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Capítulo 9: Alzheimer

  …

  — SOLTA O MEU P?O, SEU PIRRALHO CRETINO!

  O guarda de vigília acordou de seu quase-sono com um estrondo de madeira quebrando. Ele imediatamente se levantou da cadeira e correu para investigar o barulho.

  A origem do som vinha da cela da cobaia que havia acabado de Despertar. Ele n?o sabia muito sobre Despertos, mas Ezra havia dito para n?o se preocupar com esse, pois “esse aí n?o conseguiria fugir nem do próprio peido”.

  Dentro da cela escura havia uma cama despeda?ada no ch?o e, ao fundo, podia-se ver alguém batendo repetidamente em uma crian?a inconsciente com um peda?o de pau.

  — EI, EI, EI, EI, EI! Que porra é essa?! Para com isso AGORA! — o guarda bateu na grade da cela em uma tentativa de chamar aten??o, sem sucesso.

  Percebendo que uma cobaia valiosa estava prestes a morrer, destrancou a cela e invadiu a cena com pressa.

  — EU MANDEI PARAR! — berrou ele, chutando o agressor contra a parede. — Merda, merda, merda…!

  Quando ajoelhou-se para carregar o menino até Ezra, seu cenho franziu-se. Uma abertura estranha estava em seu tronco. Ele estava oco e n?o tinha olhos.

  Era como se aquilo fosse… uma carca?a?

  — Mas o que diabos—

  Algo pulou em suas costas, agarrando seu pesco?o em um mata-le?o firme.

  Por longos segundos ele lutou, dando várias cotoveladas em quem estava em suas costas. Tentou bater de costas na parede. Caiu na beliche quebrada. Sua vis?o ficou vermelha.

  Em uma última tentativa desesperada de se soltar, retirou sua adaga da bainha e apunhalou a coxa do agressor, que deu um grito de dor em resposta, mas n?o o soltou.

  “Droga, por que essas coisas acontecem comigo? Eu só… queria… fazer… um dinheirinho… extra…” pensou antes de finalmente perder a consciência.

  Ivan finalmente se soltou do guarda inconsciente, gemendo de dor enquanto sangue escorria por sua perna. Micah levantou-se logo em seguida, segurando o ombro chutado que latejava de dor.

  — Caralho, você tá bem?! — disse Micah, preocupado, se aproximando de seu aliado ferido.

  O Lagostim deu uma risadinha rouca entre os gemidos — meio sarcástica, meio genuína.

  — O que você acha? Pare?o bem pra você? Arranca um peda?o da cal?a desse cara e aperta na minha perna. N?o é nada fatal, dá pra gente continuar com o plano. Só vai logo antes que ele acorde.

  O menino soltou um sibilo entre os dentes ao Micah amarrar o tecido, lacrimejando de dor enquanto apoiava-se nele para se levantar. Pegaram as chaves do guarda e, ao saírem, trancaram-no dentro da cela para continuaram com o plano.

  — Aqui, para! é essa cela.

  Micah abriu a porta e os dois foram até o fundo da cela. Ele agachou-se e tentou puxar a grade várias vezes; até apoiou os pés na parede para ganhar impulso, seu rosto ficando vermelho de esfor?o.

  — ? risoto de lagosta! Você n?o disse que tava solta?

  — Eu disse meio solta. E, cara, eu só consegui ver por dois segundos do corredor, n?o é como se eu tivesse certeza. — Ivan sentou-se na beliche inferior e tirou uma tábua de madeira da beliche de cima, jogando-a a Micah. — Tenta usar isso.

  Por um fio ele n?o a derrubou no ch?o, mas enfiou a tábua entre as barras da grade, empenhando-se para alavancá-la para fora.

  Um “crack” foi a última coisa que Micah ouviu antes de bater de cara na parede.

  Ele olhou para Ivan com uma cara de cu irreplicável, ainda segurando a tábua enquanto seu nariz sangrava.

  O menino pigarreou.

  — Pfft… — Ivan limpou a garganta antes de continuar, sorrindo de modo que Micah n?o percebesse. — Deve ter alguma outra passagem pro esgoto. Tipo, eles têm que entrar por algum lugar pra fazer manuten??o, n?o é?

  Micah bufou, limpando o sangue do nariz com as costas da m?o.

  — Acho que n?o temos escolha, ent?o…

  Ivan se apoiou em Micah e seguiram pelos túneis, procurando por qualquer coisa que parecesse uma saída daquele inferno.

  Durante sua procura por um caminho alternativo, longe da patrulha de guardas, a dupla ouviu um grito que ecoou por todo o sistema subterraneo.

  — SOCORRO! ME TIREM DAQUI! AS COBAIAS FUGIRAM!

  — Parece que ele acordou. — sussurrou Ivan.

  — Oh, n?o me diga~ — Micah respondeu sarcasticamente enquanto se escondiam dentro de uma sala próxima.

  Assim que entraram pela porta, um breu completo os envolveu. Micah segurou em algo que parecia uma estante, e os dois se esconderam atrás dela, esperando os passos cessarem.

  O lugar era quente — n?o quente como um dia ensolarado, mas como dentro de um ?nibus lotado em pleno horário de pico. O tipo de abafado irreplicável que só se sente quando se está rodeado de seres igualmente exaustos de viver, mesmo que os únicos ali fossem ele e Ivan.

  Ademais, Micah sentia que, naquele momento, ele podia ouvir seu batimento fora de seu corpo. O que ele estranhou, mas n?o questionou por conta da tens?o elevada da situa??o.

  Ao tentar se esgueirar para fora, Micah bateu o mindinho do pé no móvel, quase derrubando os conteúdos de vidro da estante.

  Uma pena que seu amiguinho n?o pode ver a cara dele, diga-se de passagem.

  Seus olhos lacrimejaram de dor, mas, infelizmente pra minha divers?o, conseguiu suprimir o gemido.

  O impacto acendeu uma luz azul e vermelha em frente a eles, que em seguida acendeu outras, até que toda a sala estava banhada em uma leve ilumina??o roxa, tal como uma camera escura.

  Diante deles se estendiam estantes que ladeavam todas as paredes da sala. As prateleiras inferiores carregavam diversos cristais de Karma, cada um com tamanhos e brilhos sutilmente diferentes. Mas o que mais chamava aten??o n?o eram os cristais, e sim os vidros cilíndricos que preenchiam as prateleiras de cima.

  Cada vidro carregava em seu fundo dois cristais cármicos — um negativo e um positivo — um líquido que parecia sangue e, no meio de tudo isso, um cora??o humano flutuando no centro, pulsando como se ainda estivesse vivo.

  — Meu Deus… — sussurrou Micah, pegando um dos potes e olhando seu conteúdo de perto. — Que merda é essa?

  — Eu n?o sei… mas a gente n?o tem tempo pra isso, vamos logo antes que alguém— Ivan foi interrompido quando a porta abriu-se de repente, e ele rapidamente puxou Micah de volta para dentro do esconderijo.

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  Dois jovens vestindo robes brancos com detalhes prateados entraram — uma garota baixa de cabelos loiros e um garoto de óculos.

  — Quais s?o as Imagens que o Mestre Ezra pediu mesmo? — perguntou a garota.

  — Eh… — o garoto tirou um bloco de notas do robe. — “Fênix” e “Coragem”.

  A garota come?ou a vasculhar as prateleiras, puxando assunto enquanto olhava os rótulos dos potes:

  — O que você acha que é esse tal “projeto revolucionário” que ele vem trabalhando?

  — N?o fa?o ideia. — respondeu o garoto, sentando-se em um baú empoeirado. — Mas aposto meu bra?o que tem algo a ver com as páginas do Códice que ele adquiriu.

  — Bem, seja o que for, com certeza vai ser algo incrível. Há tempos que n?o vejo ele t?o empenhado em uma pesquisa assim… A-ha! Achei! — a jovem pegou outro vidro antes de os dois saírem da sala.

  Micah e Ivan esperaram até n?o ouvirem mais passos antes de soltarem um suspiro de alívio conjunto e darem o fora daquele estoque macabro.

  — Espera! — exclamou o Lagostim ao passarem por uma intersec??o. — O cheiro é pior por ali, vamos por lá.

  No final do corredor havia um port?o de grades de ferro, trancado por um cadeado robusto; do outro lado, podia-se ver e ouvir água corrente. Micah testou várias chaves do molho, praticamente rezando para que uma delas fosse a certa. E, por mais incrível que pare?a, uma delas funcionou.

  O som estridente das dobradi?as enferrujadas ecoou pelos túneis, quase fazendo a dupla de fugitivos ranger os dentes. Ivan pegou uma das tochas da parede, e atravessaram a porta com relutancia, apostando suas vidas naquelas passagens dominadas pela imundície e escurid?o.

  A catinga era t?o violenta que Micah sentia suas narinas queimando e temia que fosse perder o olfato. Ratos fugiam deles enquanto navegavam sem rumo naquele labirinto de canos e drenagens.

  Micah reparou nas várias teias de aranha que via pelo caminho. Ele n?o comentou o fato com Ivan, mas n?o havia visto uma única aranha até ent?o.

  A tocha ent?o iluminou uma encruzilhada em frente a eles. Pequenos feixes de luz diurna — vindos dos bueiros logo acima deles, mas que n?o podiam alcan?ar — revelavam tábuas de madeira gastas que conectavam os quatro caminhos, incluindo aquele por onde vieram. Todos exatamente iguais.

  — Vamos por onde…? — o menino tossiu; seu rosto parecia pálido e ele se apoiava fracamente sobre Micah. Ele já havia ficado tempo demais com aquela ferida aberta.

  Micah olhou em volta, mordeu o lábio em indecis?o, até que reparou na corrente d’água. O fluxo dos canais se encontrava na encruzilhada e seguia pelo túnel em frente a eles.

  — A corrente tá indo pro túnel da frente, provavelmente o esgoto deságua por lá. — concluiu ele, observando com preocupa??o o estado de seu amigo.

  — Ent?o, em frente seguiremos.

  Aquele caminho era silencioso. Silencioso até demais.

  N?o se ouvia o guinchar dos ratos.

  N?o se ouvia mais o pingar constante d’água.

  Seus passos ecoavam menos.

  Até mesmo o som onipresente da água corrente havia se abafado.

  Como se o próprio ambiente estivesse se escondendo… mas de quê?

  Quanto mais se aprofundavam naquele túnel, mais teias apareciam, até que ficou impossível ignorá-las. Elas cobriam as paredes, o teto, o ch?o. A certo ponto, até ficava difícil para Micah andar sobre elas.

  — Eu realmente n?o sabia que tinha uma infesta??o aqui. Espera… o que é aquilo? — Ivan apontou para uma protuberancia na parede.

  Se aproximaram do objeto, a luz da tocha tornando-o cada vez mais nítido.

  E mais nítido.

  E mais.

  E mais…

  Ivan parou.

  Na parede, presa por teias, havia uma estátua de barro. Sem quaisquer membros além da cabe?a, levando uma express?o de horror indescritível. O tipo de rosto que só se vê em pessoas que acabaram de ser decapitadas, desfrutando dos últimos segundos de consciência antes da escurid?o eterna.

  Ivan ofegava sem parar, como se estivesse se afogando no próprio suor logo após correr toda a extens?o da Cordilheira dos Andes.

  — T-temos que sair daqui. AGORA! — berrou o moleque em panico.

  — O quê? Mas por quê?

  Micah de repente sentiu arrepios por todo o corpo. Sua boca ficou seca.

  Ele sentiu espinhos dentro de seu cora??o e algo arranhando seu cérebro. N?o era um medo comum; era algo muito além, um instinto que nenhuma criatura fora daquele mundo teria.

  A emo??o n?o era dele.

  Mas sim de algo dentro de seu subconsciente.

  Essa coisa, seja o que for, sentia-se acuada e suplicava por ajuda. E Micah sabia que tinha que acudir — n?o como uma m?e salva o filho ou como um marido acode a esposa. Era algo infinitamente mais íntimo; no entanto, jamais seria amor.

  Ele virou-se para trás. Todo som que existia naquele momento era seu batimento.

  Uma m?o estava segurando o topo da entrada e, rente ao ch?o, algo refletia a luz da tocha. Quatro olhos vermelhos, focados diretamente na dupla.

  Eles estavam paralisados. Encaravam a criatura, e ela os encarava de volta.

  Ent?o ela finalmente se revelou.

  O bicho n?o era nada que Micah já tivesse visto ou sequer imaginado na vida. Era como uma tarantula, mas do tamanho de um carro, sem abd?men e com dez patas. Logo acima do cefalotórax, uma mulher pálida estava fundida do quadril para baixo à criatura. Ela vestia um vestido perfeitamente branco e, no lugar da sua cabe?a, o abd?men da tarantula — antes faltante — se acoplava a seu pesco?o fino demais, amea?ando arrebentar sob o peso absurdo.

  Antes que Micah sequer pudesse processar o formato daquilo, ouviram um rosnado alto — parecido com o de um gato, só que muito mais gutural. O monstro exibiu suas presas do tamanho de bra?os e arrancou na dire??o deles, batendo contra as paredes e trope?ando em si mesma, como se n?o soubesse controlar o próprio corpo.

  E eles correram.

  Correram mais do que nunca.

  — QUE PORRA é AQUELA?! — gritou Micah, ofegante.

  — Um Desalmado! Só para de falar e foge! — Ivan de repente trope?ou e come?ou a chorar. Sangue escorria de sua perna sem parar enquanto rastejava. — Eu n?o consigo mais correr… ME AJUDA!

  Micah parou e olhou para trás, mordendo o lábio t?o forte que sentia o gosto do próprio sangue.

  Ele olhou para Ivan no ch?o, vendo-o agir como uma crian?a de verdade pela primeira vez desde que o conheceu. Ent?o olhou para o monstro, ainda os perseguindo com a mesma ferocidade.

  Ele n?o tinha certeza se conseguiria correr com um peso desses.

  Ele era fraco, inútil, ele nunca ia conseguir.

  Mas, por outro lado, n?o aguentaria carregar mais um arrependimento desse calibre. Ele nunca teria a chance de ser feliz novamente. Sua cabe?a doía, mas n?o havia mais tempo para pensar.

  Ent?o, sabendo que morreria de qualquer jeito, resolveu sair do personagem uma vez e tentar a sorte com o destino.

  Ele se abaixou em frente ao menino:

  — VAI! Sobe logo antes que eu mude de ideia!

  O Lagostim subiu nas costas dele, abra?ando seu pesco?o e segurando-se na cintura com as pernas. Assim que levantou, Micah soltou um gemido de esfor?o; era como se tentasse correr com um saco de cimento. Ele sentia que sua coluna ia quebrar.

  Chutou os chinelos para longe e voltou a fugir. Ele nem sequer sabia direito por que se esfor?ava tanto. Ele queria morrer; por que simplesmente n?o parava?

  Mas ent?o pensou naquela estátua de barro sem membros. Temeu que talvez aquele pudesse ser seu destino. Aquilo parecia doloroso, e ele odiava a dor; portanto, só lhe restava correr.

  As pupilas de Micah se comprimiram e sua respira??o falhou por um instante:

  — Eu… eu t? vendo uma luz.

  — é a saída! — exclamou Ivan.

  Inesperadamente, os tremores que os passos da criatura causavam cessaram. Micah olhou para trás, confuso. Ela abaixou o abd?men sobre o próprio pesco?o, soltando uma substancia pegajosa.

  Parecia que estava tecendo algo com os dedos.

  O monstro ent?o segurou o objeto pontiagudo, já endurecido, e mudou sua posi??o.

  O dardo saiu voando t?o rápido que apenas um assobio p?de ser ouvido antes de um estrondo ecoar por todo o túnel.

  Micah empalideceu. Se estivesse um pouco mais para a esquerda, seus miolos já estariam sobre o ch?o.

  O bra?o do bicho sangrava; todo o membro estava roxo, e ela tentava colocar o ombro no lugar, como se n?o soubesse controlar a for?a do próprio arremesso.

  Assim que restaurou seu ombro, produziu mais de sua teia e a grudou em vários tijolos, grades, estátuas de barro e qualquer outra coisa que encontrava pelo caminho. Ent?o segurou todos os fios juntos e deslocou a própria coluna, girando de forma impossível sobre o próprio eixo para arremessar tudo de uma vez, fazendo as cordas estalarem feito chicotes.

  Micah se jogou no ch?o sem pensar. Protegeu o menino com o próprio corpo, grunhindo dolorosamente enquanto sentia vários tijolos caindo sobre todo o seu corpo, reativando hematomas velhos. O ar foi expulso de seus pulm?es e, quando tentou puxá-lo de volta, sentiu uma dor absurda nas costelas. Ele provavelmente tinha fraturado algum osso, mas n?o tinha tempo para pensar nisso; tinha que alcan?ar a luz no fim do túnel.

  Tentou se levantar, mas falhou miseravelmente. Ivan já havia perdido a consciência.

  Esfor?ou-se de novo, mas caiu, cada movimento fazendo seu corpo arder como se estivesse em chamas. Os tremores se tornavam mais altos.

  O monstro se aproximava.

  Micah usou as últimas migalhas de sua for?a para se arrastar em dire??o à luz, lágrimas escorrendo pelo rosto.

  — N?o… n?o… a saída tá t?o perto… — algo enorme pressionou contra suas costas, e ele sentiu duas garras lentamente penetrando sua pele, a dor nas costelas intensificando. — AHHHHH!

  Um guincho, t?o alto que fez Micah tampar os ouvidos, se instalou repentinamente; a pata gigante saiu de cima dele.

  Quando olhou para trás, viu que o monstro havia sido espetado pelo que parecia ser um tentáculo metálico vindo do teto. Vários desses tentáculos de metal se enfincaram à frente e atrás da dupla de fugitivos, prendendo-os naquele espa?o.

  A criatura esperneava e se contorcia, de alguma forma ainda se mexendo mesmo tendo a cabe?a empalada.

  E ent?o Micah ouviu passos e um tilintar de placas de ferro que lhe soava familiar. Da escurid?o emergiu o guarda-costas an?nimo de Ezra, caminhando calmamente, como se aquele monstro à sua frente fosse qualquer outro animal selvagem. Ele n?o carregava nada além de sua armadura e um lampi?o preso à cintura. Tirou uma de suas manoplas e a luva de couro por baixo.

  Com a m?o nua, esticou o bra?o e descansou a palma sobre o bicho encurralado. Ent?o disse em voz alta e clara, como uma ordem:

  — Esque?a como se mexer.

  Como se entendesse a língua humana, o monstro desabou no ch?o. Ainda de olhos abertos em confus?o, mas paralisado.

  — Esque?a como respirar.

  E os seus grunhidos pararam.

  E finalmente…

  — Esque?a… como existir.

  Micah n?o p?de acreditar no que acabara de ver diante dele.

  Num piscar de olhos, o bicho sumiu.

  N?o pulverizou.

  N?o se liquefez.

  Sequer virou fuma?a.

  Apenas… desapareceu. Como se nunca tivesse existido.

  O homem an?nimo vestiu sua luva e manopla casualmente. Olhou para o menino inconsciente sobre o ch?o. Em seguida, virou-se para Micah, que ainda estava sentado no ch?o, incrédulo.

  — Vocês vêm comigo.

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