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Meu alívio tem cabelos loiros

  Fiquei sentado na varanda chorando até o anoitecer, me levantei e fui para o meu quarto para tentar descansar, quando me deitei... Eu tive medo do escuro, algo que eu nunca achei que teria, tentei dormir, mas eu tinha tanto medo que n?o consegui nem fechar os olhos, me escondi em baixo do cobertor e tremia, n?o entendia o do porque daquilo...

  Chorei, até dormir. No meio da noite sonhei com um abandono, n?o tinha nada e nem ninguém, me levantei gritando por meus pais

  —Papai, mam?e!

  Eu gritava t?o, t?o alto me tremendo e temendo o escuro, mesmo implorando, onde est?o eles? Por que me deixaram aqui? Eu quero eles... Mesmo tendo saindo a algumas horas, que saudade deles...

  E como esperado, n?o dormi nem por um segundo, levantei antes do sol brilhar, eu andava pela casa, me assustando com cada barulhinho que eu ouvia, quando o sol nasceu eu senti um leve alívio, mas por que aquela luz t?o grande... N?o iluminava meu cora??o? Por que eu me sinto assim? N?o sei de nada, nada mesmo, só sei que... Eu quero eles, minha mam?e e meu papai, minha vovó e meu vov?.

  Fui para o quintal e coloquei os pesos no pulso, quando eu segurava a katana de madeira eu me tremia, mas eu ainda me esfor?ava tanto, eu queria continuar meu treino mas a saudade e a necessidade de ter eles comigo era grande, até porque tudo que eu sabia e aprendi foi com eles, todos eles. Minha base da vida eram eles, ent?o como ficar sem?

  E mais uma vez perdi a minha luz, mesmo que seja temporário, eu sinto essa saudade, fui para a sala de medita??o do meu av? e tentei me concentrar, mas a imagem da minha m?e doente me tirava todo foco, eu estava triste e preocupado, nunca achei que sentiria essa sensa??o de falta t?o cedo, eu sou uma crian?a t?o instável, deitei no ch?o e fiquei tremendo, com medo de perder ela... Que medo, a primeira vez que eu senti medo de verdade, minha vó me disse para me acostumar em perder coisas, mas perder vocês significava perder tudo... Tudo.

  Será que se eu fosse forte eu poderia ajudar minha m?e? Se eu fosse forte...

  Minha cabe?a tá se fechando de novo, que vontade de fazer nada...

  Eu sei que era algo simples, mas para mim é como se alguém tirasse minha base, mesmo sendo um momento, dói tanto... E pra mim foi t?o difícil que eu fiquei lá, três dias na sala de medita??o do meu av? sem comer e beber, só chorando com a preocupa??o sendo minha amiga, naquele escuro t?o... Assustador.

  E na noite do terceiro dia, eu vi a porta da sala abrindo e uma lamparina sendo levantada, logo após veio uma silhueta conhecida, minha altura com seu kimono rosa, seus lindos cabelos loiros, seus olhos azuis inocentes, sua bela face... Zoe,

  Ela fechou a porta e correu até mim, colocando a lamparina próxima de mim, se ajoelhou na minha frente e levantou as m?os pensando no que fazer, enquanto segurava as lágrimas, ela n?o aguentava me ver naquela situa??o, nunca imaginei que seria a luz de uma lamparina que me faria companhia, algo que nem o sol fez, me levantei calmamente e olhei na face de Zoe.

  —A-Akira!

  Disse ela chorosa, e finalmente derramou algumas lágrimas, n?o queria que ela me visse assim, pálido e com fome, mas era t?o bom ver o rosto dela, t?o bom saber que tinha alguém ali para mim...

  Eu apoiei minha cabe?a em seu seio, acho que aquela era a primeira vez que eu mostrei fraqueza para alguém que n?o seja um familiar, eu n?o esperei muita coisa pra falar a verdade, mas ela me puxou pra perto e me abra?ou.

  Eu n?o pude deixar de me sentir calmo, eu achava que o o que ia acalmar meu oceano agitado era a for?a que eu buscava, eu achava que a luz que eu buscava era estar ao lado de uma espada... E no fim, quem acalmou meu mar foi a garota que é melhor que eu naturalmente, quem iluminou meu escuro foi a prodígio que me fez ter ódio de mim mesmo, n?o pude deixar de chorar, e eu a abracei com for?a, a primeira vez que eu abracei Zoe... E ela se surpreendeu, mas n?o se afastou nem por um segundo.

  —Ta tudo bem, Akira...

  Ela falou t?o gentilmente que mexeu com meu cora??o, eu estava me sentindo mais uma vez em casa, por que ela fazia isso?

  A Zoe está aqui por mim, acho que ela está retribuindo quando corri para dar o remédio para ela, é t?o... Confortável...

  Eu n?o quero sair daqui.

  Fechei os olhos e me arrumei, eu gostei tanto daquele ato gentil que percebi que eu pude relaxar, a primeira vez que eu fiquei calmo desde que comecei a treinar, eu persegui a Zoe por ela ter o talento que eu n?o tenho, eu sou t?o, t?o grato por ela, eu preciso valorizar ela...

  Depois ela levantou meu rosto e olhou no fundo dos meus olhos, ela tirou um onigiri do bolso, ele estava deformado e um pouco cru, provavelmente foi ela mesma que fez, me mostrou e me disse sorrindo:

  —Fiz pra você...

  Enquanto ela segurava, eu mordi um peda?o, estava meio duro por estar cru e sem sal, mas aquilo era a coisa mais gostosa... Que já tinha comido até agora nos meus poucos anos de vida.

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  —Ta bom?

  Ela me perguntou com olhos tremidos, provavelmente priorizando o gosto, eu sorri finalmente e ganhei um pouco de vida no semblante.

  —Está muito bom!

  Falei baixo, eu pude ver o rosto dela se iluminar, n?o foi o sol que me mostrou o caminho, foi uma lamparina, e n?o foi for?a ou uma espada que me salvou nessa madrugada, foi o brilho no rosto da minha amiga...

  —Zoe, obrigado...

  Ela me olhou confusa.

  —Por que?

  Depois eu disse sorrindo, a inocência dela era adorável.

  —Por tudo, de verdade

  Ela iluminou o rosto novamente e colocou o onigiri no ch?o, eu me levantei aos poucos e fiquei sentado na frente dela, ent?o sorri pra ela, logo me abra?ou fortemente, e depois disse tudo... Tudo o que eu queria ouvir:

  —Eu to aqui, Akira

  Foi t?o bom, t?o bom mesmo... Eu abracei ela de volta pela segunda vez, eu nunca mostrei meu lado carinhoso a ninguém sem ser minha m?e, e pretendo continuar assim, mas ela será especial, as duas ser?o as únicas que ter?o essa minha vers?o. Acho que pode ficar assim, né?

  —Obrigado, Zoe.

  E ficamos ali um pouco abra?ados, eu n?o sei descrever com palavras o clima que estava lá, mas foi confortante, eu nunca me senti forte nesse tempo de treino, e essa foi a primeira vez que eu me senti assim, forte.

  Depois eu me afastei do abra?o e olhei para o ch?o, ela limpou meus olhos e ergueu me queixo de novo, pude ver seu sorriso mais uma vez, e eu reparei no seu rosto, aquela face que eu nunca vou esquecer, ela era mais bonita do que eu pensava pra fala a verdade.

  —Você precisa voltar.

  Disse preocupado com a hora, já era madrugada e ela estava fora de casa, logo concordou, peguei o onigiri dela e guardei no meu kimono, levantamos e ela segurou a lamparina, saímos mas Zoe trope?ou em alguma coisa por n?o conhecer a casa por dentro, eu segurei sua m?o instivamente... Por que eu fiz aquilo?

  Ela me olhou e sorriu, quando abri a porta de entrada, estava meio frio, ent?o fomos até meu quarto e coloquei um kimono meu sobre ela, parecia feliz e ficou fofa com uma pe?a de roupa preta, já que sempre usou cores felizes, depois sai e ela veio atrás de mim, segurando a barra da minha roupa, ent?o peguei sua m?o e minha katana de madeira, e saímos, no meio do caminho, percebi que eu estava andando com coisas que estava segurando por natureza e extinto: a espada e a m?o dela. O que tava rolando comigo?

  Depois de chegarmos na casa de Zoe, bati a porta e saiu de lá uma figura enorme, ele tinha que se abaixar para passar pela porta, n?o pude ver perfeitamente pela escurid?o.

  —Casa errada?

  Depois Zoe sorriu, correu e abra?o a figura.

  —Papai!

  Me surpreendi logo e falei alto:

  —Papai?!

  A Zoe tinha um cavalo como pai, e a figura com sua enorme m?o tocou sua cabe?a e disse com sua voz grossa:

  —Quem é você?

  Naquele momento eu senti raiva, muita raiva. Onde esse homem estava quando a Zoe estava doente? é um pai n?o é, por que n?o cuida da filha?

  Coloquei a lamparina no ch?o e a espada na cintura.

  —Até a próxima, Zoe.

  Logo virei de costas e sai andando.

  —Tchau!

  Disse ela acenando enquanto o homem pregava seus olhos de mim, mas eu n?o temi, por algum motivo, naquele momento eu senti que era necessário eu n?o mostrar medo, por que será?

  Quando eu voltei para casa e me deitei no quarto, o escuro ainda estava presente, mas eu n?o temia... A Zoe realmente me acalmou de verdade, tenho que retribuir depois no mesmo nível.

  Depois dormi tranquilamente,

  Quando acordei, me levantei calmamente e me vesti, coloquei a katana de madeira na minha cintura e fui até a cozinha, tirei o onigiri de Zoe e guardei com carinho, comi um p?o em cima da mesa e saí para o quintal, e acho que dessa vez n?o foi o sol que iluminou meu dia.

  —Akira, bom dia!

  Disse Zoe, no port?o me esperando, eu me surpreendi, mas assumi uma face neutra de sempre e andei até ela.

  —Bom dia, por que tá aqui?

  Ela sorriu e disse:

  —Senti saudade!

  Arregalei meus olhos e desviei o rosto, ela me olhou confusa, riu e me arrastou pela m?o, e come?amos a andar pelo vilarejo, fui levado pelas ruas da vila, ela acenava para todo mundo com seu sorriso radiante, ela era amada por todos pela sua pureza, sua beleza chamava a aten??o sempre, mas sua personalidade fofa se destacava mais, logo ao lado tinha eu, face calma, meus olhos e cabelo escuro, meu kimono preto e espada de madeira contrastavam com a aparência dela, parecia que ela era a felicidade em pessoa e eu a tristeza. Que humilha??o...

  Ela me abra?ou quase me derrubando, depois subiu nas minhas costas e disse animada:

  —Cavalinho!

  Eu olhei meio sem entender, mas algo me dizia para fazer ela sorrir, ent?o comecei a carrega-la nas minhas costas, ela balan?ava as perninhas feliz, enquanto passava seus bra?os ao redor do meu pesco?o.

  —Confortável

  Você fala como se fosse um futon, mas eu estava feliz com sua companhia para falar a verdade.

  Enquanto andávamos passamos por uma macieira, a Zoe desceu e apontou para os frutos lá em cima, e tentou escalar, eu me sentei onde parei e fiquei olhando aquela cena engra?ada, até que ela virou e me disse:

  —Ajuda!

  Bufei e me levantei, olhei pra cima e pensei como chegar lá, peguei minha espada e joguei para cima, derrubando uma das frutas, quando os dois caíram, entreguei a ma?? para a Zoe, depois que a katana caiu, segurei e cai no ch?o pelo peso de novo, ela riu, com aquela risada que encantava qualquer um... Mas eu n?o vi gra?a nenhuma.

  Me levantei e coloquei a espada na cintura.

  —Machuco?

  Ela me disse sorrindo e parecendo feliz com a fruta t?o simples.

  —N?o, está tudo bem.

  Ela se aproximou e disse baixo:

  —Obrigada!

  Sua gratid?o veio com um sorriso, acho que posso dizer que valeu a pena passar por essa humilha??o, para no fim receber essa face feliz.

  Depois de comer, ela sujou levemente a boca, ent?o eu tirei um len?o e a estendi para ela, ent?o ela colocou a face perto de mim.

  —Limpa para mim? Por favor!

  Eu olhei confuso, mas limpei com calma.

  —folgada.

  Depois disso, pegou minha m?o e voltou a correr pelo vilarejo, sério, da onde ela tira tanta energia?

  Ent?o ficamos passeando o dia todo, quando chegou a tarde, antes do sol se por, ela pulou nas minhas costas novamente, e andamos na margem do rio do fim, o céu alaranjado e a brisa suave e tranquila, o rio cristalino refletia a bela imagem do céu, o sorriso de Zoe e seus cabelos balan?ando completam a bela vista.

  Paro e observo o horizonte aonde o sol se p?e, o rio onde ninguém sabe o que tem no fim, é t?o profundo que também ninguém sabe o que há no fundo... Em minhas costas, Zoe se conforta e p?e o rosto no meu ombro.

  —Zoe.

  Ela olhou pra mim curiosa.

  —Sim?

  Depois eu disse olhando para a paisagem, e com a face neutra declarei:

  —O seu onigiri foi a melhor coisa que eu já comi...

  Ela ficou sem rea??o, desceu das minhas costas e ficou na minha frente, ela segurou a barra do kimono enquanto olhava para o ch?o, parecia feliz, eu a puxei e coloquei sua cabe?a no meu peito, me senti meio desconfortável por n?o ser minha m?e, mas a abracei de cora??o, ela ficou surpresa também, mas eu apenas olhava para o sol se pondo com sua cabe?a agora encostada em mim.

  —Akira?

  Fiquei em silêncio e depois respondi:

  —Só dessa vez.

  Ela sorriu, o clima alaranjado com o vento suave balan?ando nossos cabelos enquanto estávamos próximos... Confortou minha alma.

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