Depois do confronto inesperado, eu levantei depois de dois dias dormindo, a fome tinha me despertado, eu me levantei aos poucos pelos ferimentos, tirei meu kimono e olhei meu corte enfaixado, aquilo n?o tinha sido um sonho. Andei até a cozinha e comi qualquer coisa que eu pude encontrar, eu me lembrava da luta no escuro da noite a algum tempo, eu estava t?o feliz por conseguir quase erguer a katana, se eu continuasse aos poucos, breve iria ter o resultado que almejo, mas acho que vou tirar esse dia de folga, também faz parte do treino né.
Depois que comi, coloquei minha roupa de volta e fui meditar, mas n?o conseguia me concentrar pela empolga??o e pelo momento caloroso que tive, naquela hora, eu n?o sentia a dor dos golpes e n?o sentia medo, foi minha primeira vitória em uma luta contra alguém, até hoje só fui contra eu mesmo e um crocodilo, ent?o acho que posso considerar um avan?o, haha.
No meio da minha luta para me concentrar, ouvi alguém na varanda a alguns metros da sala onde eu estava, quando abri a porta, pude ver o pai de Zoe sentado na varanda olhando ao ch?o e com a m?o na cabe?a.
—Droga...
Logo depois, cheguei atrás dele e coloquei minha katana de madeira no pesco?o do homem, rapido levantou a cabe?a com o susto.
—Você é bem corajoso para invadir a minha casa.
Depois me olhou ainda surpreso, como se visse um fantasma, tirei a espada de perto e me sentei ao seu lado.
—Te assustei?
O pai do Zoe colocou a m?o no pesco?o brevemente e respondeu:
—Me surpreendeu, admito.
Depois ficamos olhando o quintal por um tempo, em silêncio. Mas depois ele foi quebrado.
—Obrigado... Por aquele dia.
Olhei para seu rosto de canto de olho, n?o esperando gratid?o vindo dele em específico. Calmamente bati leve nas costas do pai de Zoe, como se tivesse dizendo para se acalmar.
—Tudo bem.
Ele olhou para mim e acenou com a cabe?a, depois levantou e me disse para segui-lo, parecia que tinha mais alguém para me agradecer, ent?o fiz, me levantei, coloquei a minha arma de madeira na cintura, e o segui.
Andando, fiquei observando as costas da enorme figura, ficava pensando como ele n?o conseguiu impedir que sua esposa e ele fossem feridos, a algo através desses músculos...
Entramos na floresta e andamos mais um pouco, chegamos finalmente onde havia um rio, lá estavam a família de Arthur e ele, acompanhados da m?e de Zoe e ela também, a garota correu sorrindo na minha dire??o com os bra?os abertos.
—Akira!
Me surpreendi e soltei minha espada no ch?o, recebi seu abra?o e giramos brevemente, rimos juntos, e o pai dela observava com aquele ciúmes de pai, embora sejamos apenas duas crian?as.
Ela acariciou a minha bochecha machucada, e deu um beijo.
—Melhoro?
Eu sorri, acariciei sua cabe?a e disse:
—Sim, obrigado!
Ela sorriu, e me arrastou para o rio, onde Arthur estava brincando, logo fui cumprimentado por ele, atrás de nós, os dois pais conversavam:
—Ele já conseguiu te surpreender?
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Perguntou o pai de Arthur ao pai de Zoe, e o homem respondeu com o silêncio absoluto. Eu tirei meu kimono, e nós três pulamos no rio, que bom que foi no meu dia de folga, e parecia que os adultos ali me olhavam com novos olhos, para mim e minha amiga. Tinha uma leve admira??o, talvez eu merecia aquilo por um tempo...
Brincando, o barulho chamou a aten??o daquele crocodilo que eu lutava no treino, todos recuaram, a m?e de Zoe abra?ou os dois que brincavam comigo e saiu, eu fui o único que ficou calmo, e sem nenhuma preocupa??o, fui me aproximando do animal, eu olhei para minha espada no ch?o distante, Arthur percebeu minha inten??o, ent?o se soltou do agarre da m?e de Zoe, e me jogou a espada. Eu a peguei e sorri.
—Obrigado, Arthur.
Sorri mais uma vez e olhei para meu oponente com escamas inquebráveis para mim, eu ouvia um "ele é louco" do pai da garota, mas logo foi segurado pelos outros ali, eu apontei a espada em dire??o ao crocodilo, confiante e sem medo, já tinha vencido diversas vezes, vamos para mais uma.
—Sentiu saudade?
O crocodilo avan?ou em cima.
—Eu estou falando com um largart?o, acho que fiquei louco.
O bicho veio correndo normalmente com a boca aberta, eu bati com a espada na sua boca, ent?o quando ele mordeu, virei sua cabe?a e subi novamente em suas costas, mas pelas feridas e pela arrogancia, levei um golpe da cauda do animal, e voei para longe, batendo numa árvore e pousando no ch?o de pé, me abaixei e cuspi um pouco de sangue.
—Akira!
Gritou Zoe, enquanto era segurada. Sua m?e tentava acalmar ela, e minha situa??o era meio crítica, minha ferida na costela tinha aberto e comecei a sangrar de vagar, agora era uma luta contra o próprio tempo, o curto tempo. Ent?o olhei para as árvores e vi as vinhas, sorri e pensei numa armadilha, me levantei e sorri novamente, Arthur mais uma vez, entendeu minha idea. Ele com altas habilidades pulou pelas pedras do lago perfeitamente.
—Arthur!
Gritou sua m?e assutada, ela tentou segui-lo, mas foi segurada pelo seu marido.
Ele depois subiu na árvore e pegou as vinhas, eu passava desviando do animal, quando passei ao lado dele, logo soltou minha espada, eu peguei e corri pelo meu amigo, e segurei apenas uma ponta da vinha, olhei nos olhos dele correndo e apontei sorrindo.
—Será que consegue me acompanhar?
Arthur sorriu e entendeu, e correu para o lado oposto segurando a vinha, come?amos a correr ao redor do animal, os movimentos de meu aliado eram apenas talento, mas belos e rápidos, para a primeira vez lutando, ele era excepcional. Enquanto corria, amarrei a ponta da planta no cabo da minha espada, e come?amos a enrolar o inimigo escamoso com o cipó, depois o animal avan?ou em mima de Arthur, e eu por instinto, larguei a espada e corri, ficando entre eles e levantando os bra?os para defender meu amigo, mas eu sabia que um ataque direto do animal ia acabar comigo, eu tinha cometido uma falha, me antecipei e pulei a frente, talvez aquele ataque iria me matar, mas mesmo assim...
—Vem pra cima, Hahaha!
Eu n?o pude deixar de rir da minha imprudência, quando o animal chegou perto com sua enorme boca, eu levantei mais ainda os bra?os e esperei o ataque poderoso, mas inacreditavelmente... O crocodilo caiu no ch?o, amarrado, antes de me acertar.
—Akira, Arthur!
A Zoe, como o Arthur, tinha entendido minha estratégia, e amarrou a espada ao redor de uma árvore e fincou-a no ch?o, a árvore era a maior da floresta, para a situa??o do animal, n?o era possível escapar. Ela n?o só entendeu o que eu pretendia, mas melhorou ainda mais.
Se aproximou de mim e disse assustada:
—Seu louco!
Eu ri, cuspi mais sangue e disse que eles eram incríveis, logo desmaiei e cai para trás, Arthur me segurou e gritou:
—Mam?e, papai nos ajudem!
Depois desse grito, n?o ouvi mais nada...
Enquanto desmaiado, eu pude sonhar com a cena antes de Zoe interferir, no sonho eu via o crocodilo me atacando antes da sua ajuda, eu via meus bra?os sendo arrancados, e eu sangrando até a morte enquanto Arthur gritava, e minha vis?o escurecia...
—AAh!
Sentei na cama desesperado e suando, n?o foi a melhor forma de acordar, eu olhei para minha m?o e fiquei aliviado de estar vivo, acho que a sorte me salvou dessa vez.
—Akira!
Veio Zoe correndo e pulou em cima de mim, ela me abra?ou fortemente enquanto tremia, rapido percebeu que tinha acabado de me salvar, de novo...
Eu pude sentir suas lágrimas nas minhas costas, ter dependido da sorte naquele momento, seria arriscar a vida de todos, agora era obriga??o minha levantar uma espada, era necessidade.
—Garoto!
Disse o pai da Zoe entrando furioso, andou até a cama onde eu estava, puxou sua filha para trás e me deu um tapa forte no rosto, t?o forte que eu caí no ch?o.
—Querido pare!
Apareceu a m?e dela correndo e tentando segurar o homem, meu rosto ardia bastante, nunca tomei um golpe t?o forte e com tanta raiva, mas eu n?o esbocei nenhuma emo??o.
—Calma? A arrogancia desse garoto quase condenou a todos nós, se ele tivesse falhado, n?o só nossos filhos teriam sido virado refei??o de jacaré, mas todos nós!
Ele andou até mim, e me agarrou pela gola do kimono, seus olhos estavam cheios de ódio, eu via o arrependimento de ter me elogiado. Depois me jogou com for?a na parede, ele bateu os pés pronto para me desferir mais golpes, eu n?o rejeitei a Idea dele, já que eu realmente merecia...
—Papai para!
Disse a Zoe, entrando entre nós dois, chorando e tremendo, o pai mandou a garota sair, mas ela gritava que n?o.
—Zoe... Quando esse garoto ir embora, você está proibida de ver ele, pra sempre.
A Zoe caiu de joelhos e falou que n?o, mas ele estava decidido, quando se virou, ando e parou na porta e disse baixo:
—Por isso eu sempre odiei espadachins...
Ele saiu, a m?e dela ficou em silêncio com o semblante triste, e saiu atrás do marido... Fiquei lá com a minha amiga chorando, ent?o me levantei e me preparei para sair, mas Zoe segurou minha cal?a e disse:
—Akira, n?o vai. Eu n?o quero te perder!
Disse chorando, eu me abaixei, sorri e beijei sua testa.
—Tá tudo bem, eu vou resolver isso.
Depois me virei e sai, pude ouvir Zoe chorando, aquilo partiu meu cora??o de várias formas, quando cheguei do lado de fora, vi Arthur na frente da casa, segurando minha espada de madeira, partida em dois... Aquele foi meu presente de aniversário quando completei um ano, ele me estendeu os dois peda?os, mas eu passei reto e disse:
—Eu n?o preciso mais disso, e obrigado.
Vi seu rosto em choque antes de partir. Deixar aquilo para trás era necessário, minha fraqueza resultou nos acontecimentos recentes, ent?o eu serei forte... Se eu tivesse uma arma de verdade, talvez seria diferente, tudo diferente.
Cheguei em casa e fui ao meu quarto onde a espada estava jogada no canto, me dirigi até ela e me agachei, eu estava paciente, mas agora era preciso levanta-la, já estava na hora.
Segurei seu cabo, já chega.
—Cansei de ser fraco.

